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Mostrando postagens de junho, 2014

Entre dois amores.

 Uma de cabelos negros e pele branca. Sempre fria, séria, consistente em um único objetivo: seu próprio prazer, saciando sua ânsia demasiada. Moça de muitos, odiada por muitos mais e temida por outros tantos de muitos. As roupas consistiam em vestido com meia-calça ou camisa, calça jeans e bota, sempre acompanhados de sua jaqueta de couro, formando um conjunto nunca de outra cor senão preta. Contrastando com os braços brancos, o desenho da caveira do Dia de Los Muertos coloria a pele áspera. Os olhos lembravam a cavidade ocular do desenho que carregava consigo: fundos e com olheiras, ela destacava-os com maquiagem escura contornando o olho escuro de nascença. Dominava a língua alemã, coisa que só uma nativa poderia fazer igual, transitando por acusativos e genitivos com uma seriedade de uma  blitzkrieg . Acessórios? Apenas uma carteira de cigarro e do canivete no lado de dentro da jaqueta. Sempre acompanhada de copo de bebida, o canivete com lâminas de várias f...

De ponto em ponto.

Começou pegando o Los Angeles - viu a parte mais bela da riqueza. Depois teve que pegar o Novo Mundo - não viu nada de novo diferente do mundo antigo. Pegou o Vila Rex - conheceu um antigo que era novo para ele. Obrigaram a pegar o Agrícola - apenas viu tudo em cinza e nada em verde. Não teve receio em pegar o Canal da Música/Vila Alegre - entristeceu ao só ter funk para ouvir. Com tristeza, pegou o Solitude - se perdeu na depressão. Também pegou o Centenário/Campo Comprido - não reconheceu o campo que conhecia. Devia ter pego o Santa Cândida/Capão Raso - mas a fé era rasteira naquele lugar. Pegou carona no Pinheirinho - esperava parar lá em Araucária. Pegou o Vila São Paulo - orou para todos os santos o tirarem de lá. Se converteu e pegou o Cristo Rei - amém. Queria pegar a Novena - quando chegou, não tinha mais. Se surpreendeu ao pegar o Estudantes - a educação não tinha lugar preferencial. Adorou quando pegou o Formosa - as curvas o cativaram. Pegou todo...

Sangue e batom.

Janie's Got a Gun by Aerosmith on Grooveshark Era tarde demais para as últimas palavras serem chorosas. Se bem que, se dependesse dela, isso seria a única coisa capaz de não acontecer. Acontecia sim uma lágrima manchada de rímel, que fazia rapel na pele branca. A dor era excruciante, mas nada parecia a afligir mais do que se  passava dentro da cabeça da morena. Na barriga, o buraco formado no corpo expelia uma mistura líquida de cor vermelha que continha ira interna e luxúria passional, pecados que ela cometia com sabedoria. Fruto de uma tentativa de estupro, o projétil se escondia dentro dela, aproximadamente entre o estômago e o cólon transverso. Quem atirara nesse momento já estava planejando a próxima vítima para saciar a vontade, aliado de seus amigos. Torcia ela pra que o veículo dos mal feitores capotasse. Podia ligar para a polícia, para a ambulância ou para a família (ou o que restava de uma), mas apenas seu amante a interessava. Não ligou. Esperaria mais um po...