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Cinzas de outros Carnavais

A disposição para festejar já não era a mesma de anos atrás. A caminhada pela (literal) avenida exigia disposição que não lhe transbordava . Cansado d e samb ar - ain da que seus passos se resumissem aos dedos indicadores para cima -, e ntrou em boteco qual quer. Sentou-se junto ao bal c ão . Pediu uma cerveja, mas a fome que batia mais ritmada que o bumbo lá fora o forçou a orde nar também um salgado requentado d o vidro . En quan to a ban da continuava a passar e ele encarava as gotas da garrafa gelada, a mascarada ani mada se aproximou do atendente posi cionado atrás do tampo de madeira e ped iu uma dose de Martini. O garçom lança a ela um olhar como de quem duvida da sanidade e do senso de localização da in terlocutor a , que responde rindo: " Brincadeira, querido. Eu quero uma cerveja mesmo " Reconheceu quem era. Apesar da fantasia , da tonalidade da pel e mais bronzeada e do cabelo diferente , a m aior mudança desde a ú ltima vez que lhe vira era ...

Santa's stories - Os três fantasmas de Natal me visitaram na mesma noite

Passado Quando me deparei com aquela mulher no outro lado do saguão, as mais diversas sensações surgiram. Certamente a visão me atacou primeiro: estava deslumbrante em um vestido preto com transparências, que ressaltava-lhe as curvas e preenchimentos. Contudo,  a jaqueta de tom verde escuro parecia a proteger frio, medos sociais e de quem a examinasse demais. O cabelo solto, levemente bagunçado e que descia até a altura do peito fazia com que o rosto fosse destacado. O vislumbre fez com que meus olhos se arregalassem. Ela, madura ao mesmo tempo jovial, teria de me encarar vestindo um terno barato que usava para trabalhar - inclusive, tinha acabado de sair do trabalho direto para a comemoração. Os segundos, sempre tão velozes e ariscos por entre os dedos, repentinamente pareceram diminuir suas passadas. A sensação era estática. Como o admirador de uma obra de arte que passa minutos apenas observando e absorvendo os estímulos de um quadro de museu, as memórias iam ao meu ...

Identidades e duas partes.

Clarisse está trancada no seu quarto Com seus discos e seus livros, seu cansaço Eu sou um pássaro Me trancam na gaiola E esperam que eu cante como antes  A quela que se en tregava precisava semp re se reafirma r e conf irmar s eu amor . Sempre se mostrar como a a posta certa. Sempre mostrar que era a base para a confiança daquele que vivia escapando. A maquiagem desenhada no rosto ressalta va suas intenções. E eu sim falo de uma vida que tinha como a parência a camada mais visível de seus sentimentos . Era uma planície visível . Contudo , ao ser cavada, r evelava ser um conjunto de vales, depressões e picos íngremes. Moldada e re moldad a, mo strava que e ra ao mesmo tempo sólida para ser o porto-seguro e flex ível para ser o bote salva-v idas. Suas dores tinham que ser menor es para mostrar que suportava-as e, quando eram maiores do que sua força, transbordava a emoção no peito protetor dele, indicando se sentir segura n os braços do interlocutor . Por veze...